terça-feira, 8 de maio de 2012

Amor e outras drogas



Não, não farei outra análise pseudo-crítica aqui. O título foi muito mais por falta de criatividade do que qualquer outra coisa ligada à sétima arte.
Cada vez mais me convenço de que o "amor" - ou seja lá qual palavra você prefira usar - poderia um dia ser extraído e destilado como uma droga. Uma droga de verdade. Daquelas que você compra na farmácia ou (espero que não) injete no seu braço, na calada da noite.
Neste momento da madrugada (durante o qual estou escrevendo) até cogito o quão estranho seria abordar este tema como minha tese de monografia. Mas voltando...
Uma vez no nosso corpo, o amor age literalmente como uma droga. Para bom ou para ruim. Dependendo da concentração e forma de uso.
E aí eu só posso chegar a uma conclusão: "Use com moderação. A persistirem os sintomas ou houver sinais de dependência, suspenda seu uso imediatamente".
Em resumo, o amor pode curar quase tudo, mas pode ferrar com tudo também.
E pode ser extremamente perigoso. Uma vez que sua overdose não mata (o sujeito), mas pode transformar-se em coisas que nada tem a ver com amor: ciúme, obsessão, dependência do outro, amargura, dor, brigas sem sentido etc.
E mais uma vez, como uma droga, não existe cura milagrosa. Seu único tratamento é a boa e clássica abstinência. Mas quem dera fosse tão simples quanto essa palavra grande.
É a única droga que causa tamanha dor e que mesmo assim você encontra em todos os lugares, sem sinal algum de desejo de veto, de criminalização por uso, nem mesmo por parte dos abstêmios mais sofredores.
Isso porque - droga maldita - foi criada para dar prazer até na dor.
Enquanto existir no corpo, por mais que seja impossível expressá-la além de lágrimas, seu viciado ainda sente, de alguma forma, alegria. Pois é agora a única forma de estar perto do objeto amado, de senti-lo e ainda poder dizer "amo".
Mas depois de tudo, depois da dolorosa abstinência e vencido o vício, se difere de todas as outras drogas por um pequeno detalhe: a volta do seu uso não é contra-indicada.
Até porque, ao voltar - na maioria das vezes - o usuário já tem certa consciência da posologia correta de uso. Outras vezes, não.
Fazer o que?! Uns gostam da cura. Outros, do prazer intenso e efêmero que só o vício proporciona.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vamos ajudar?



Hoje o dia foi longo e triste. A Câmara dos Deputados votou ontem o novo projeto que desfigura o Código Florestal, o conjunto de leis que protege as florestas. Essa nova versão anistia todas as pessoas que desmataram no passado e permite mais desmatamentos.
Desde o início, o setor ruralista no Congresso foi o principal responsável por essa retaliação nas leis de proteção das florestas.
Podemos mostrar nossa indignação a essa reforma do código é assinando o projeto de lei popular pelo desmatamento zero.
Com ela, será encaminhado ao Congresso uma lei de iniciativa popular contra a devastação das florestas, nos mesmo moldes do Ficha Limpa, e para isso é preciso 1,4 milhão de assinaturas.

domingo, 8 de abril de 2012

Frases sorvete



Nada é mais falso do que a auto-ajuda de internet, de facebook, de muro da rua etc e tal... Frases motivacionais que lemos por aí, amigos que querem nos botar pra cima, enfim, aqueles momentos de divina sabedoria.
Em 10 minutos no facebook li 3 frases diferentes que querem dizer a mesma coisa:
"Pois tudo aquilo que é realmente nosso nunca se vai para sempre"
"Tudo o que vai volta, e se voltar é porque é feito de amor"
"O tempo não importa... se for verdadeiro é para sempre"

Mas que #$%¨&%$! (Não posso usar palavrão pois ainda são 13h, hoje é um dia santo e este blog não está rastreado para +18). Mas que vontade absurda de usar um palavrão!
Parem! Parem! Parem de usar frases motivacionais prontas para prolongar o sofrimento!!!
É só pra isso que essas $%¨$#%¨ servem! Auto-ajuda uma ova! Para alguém que está na pior, precisando superar algo ou alguém isso nunca vai ser motivacional, nunca vai ajudar. É a mais falsa sensação de esperança do mundo!
A pessoa tá na bad... chorando... ouvindo Sandy e Jr... Lembrando o que deve e o que não deve. Procura uma frase pra ajudar e encontra isso: "Não desista, porque o que é seu ninguém tira". Mas que merda é essa??? (não resisti agora).
A pessoa tá mal, o que tem que acontecer é superar, virar a página, dar a volta por cima, dar move on, sei lá qual a melhor expressão pra isso. A bosta já foi pro ventilador, não tem que "esperar o tempo passar, pois ele vai trazer de volta o que é seu".

"Ahh Colgate... mas tem situações que só precisam do tempo mesmo, porque o amor é maior blabablabla".
Concordo, mínimas situações, raríssimas. 99% das vezes o tempo só vai te ajudar a superar mesmo e não a voltar. Então dê uma chance ao coitado do tempo poder fazer o trabalho dele mais rápido, sem ficar postergando isso.

Frase de auto-ajuda pra mim é: "Ô idiota, se manca! Vai procurar outro galho porque esse macaco aí já tá atrás de outra pra catar piolho!"




Ufa... E este foi o texto de Páscoa de uma pessoa que não aguenta mais ver frases sorvetes. Que são lindas e te fazem feliz por 5 minutos, mas logo em seguida derretem na sua mão.

sexta-feira, 30 de março de 2012

The Hunger Games - Uma chance



Antes de tudo, longe de mim tomar uma posição de pseudo-crítica de cinema. Mas preciso fazer algumas considerações quanto ao filme “Jogos Vorazes” (The Hunger Games, original) que assisti essa semana.

Apenas para um breve entendimento sobre a trama, mas lembrando que é a visão de uma espectadora e não leitora da trilogia, nunca tive qualquer contato com nenhum dos livros, até o momento.
A estória ocorre num futuro (não tão próximo) aparentemente pós-apocalíptico e, dá-se a entender, no que foram os Estados Unidos (novidade!). No início do filme as explicações quanto à condição dos protagonistas ficam em segundo plano, o que me obrigou a fazer alguns questionamentos chave com a minha irmã (ficcionada pela série). Mas basicamente é o seguinte: após um período de guerra o país foi dividido em uma capital e 13 distritos, cada um com sua função na sociedade para estabelecer a “paz”. Num dado momento, o 13° distrito decidiu se rebelar e foi abolido. A fim de manter o controle e supremacia sobre os distritos – em outras palavras, “mostrar quem manda no pedaço” – o governo criou os chamados “Jogos Vorazes”. Uma vez por ano ocorreriam os jogos, em forma de reality show nacional. Eram selecionados em cada distrito um casal de adolescentes, de 12 a 18 anos, no total de 24 competidores para sobrar apenas 1. Só que o “paredão” era manchado de sangue. Em uma espécie de “arena selvagem” eles deveriam se matar da maneira que encontrassem, com facas, flechas, bombas, veneno ou no soco mesmo. Tudo isso sendo assistido pelo país inteiro de suas confortáveis casas hiper-modernas ou por telões espalhados em campos de trabalho que mais lembram campos de concentração nazistas, nos distritos. Ao final do “programa” apenas um competidor deveria sobrar, como recompensa volta livre ao seu distrito com algumas regalias – mas qualquer coisa é regalia numa realidade em que se morre de fome. O intuito disso tudo? “Divertir” os ricos da capital e mostrar aos distritos que o Estado é quem controla, que a rebelião não leva a nada e a única coisa que conseguiram ao lutar foi arriscar a vida dos próprios filhos.
Na 74ª edição dos Jogos a capital é surpreendida por uma jovem que pode começar a mudar o rumo das coisas.

Fim. Vou parar o resumo do filme por aqui, se quiser saber o resto terá que assistir ou ler. Então vamos às considerações:
Com uma pitada de George Orwell e a ideia – perturbadoramente abominante - de adolescentes se matando, a trama tem tudo para fazer uma grande crítica a sociedade e ser um ótimo filme inteligente, mesmo vindo de uma literatura denominada “infanto-juvenil”. Porém, sabe Deus porquê!, a distribuidora está vendendo o filme como um “sucessor da saga crepúsculo” (?) e é aí que a merda toda vai pro ventilador. Poderia ser uma crítica forte, poderia sair do cinema te fazendo pensar, poderia ser um filme para adultos... mas não é. Não sei bem explicar o motivo, mas mesmo envolvida no momento e achando o filme muito bom, de tempos em tempos alguma coisa na tela me puxava de volta à condição de “isso é um filme adolescente”. Não foram os atores, muito bem escolhidos. Talvez um pouco – ou muito – da modernidade fashionista da Capital, exagerada, muitas vezes circense. Não sei como isso era descrito no livro, mas na tela soou infantil. Foi também a “alegria” de alguns competidores por estarem matando outros semelhantes. Compreendo que para alguns personagens ali aquele jogo era o “propósito da vida”, cresceram treinados para aquilo. Mas as cenas em que aparecem sorrindo, correndo, brincando e gargalhando tiraram toda a seriedade do momento.
O romance in front of death também dá um ar juvenil pois é falho na sua razão, embora tenha sim ficado implícito – mas de maneira muito fraca - que não era real de fato, mas pela sobrevivência. Ou para permanecer no jogo por mais tempo – alguém aí sentiu uma leve semelhança com nosso programa global?
Para mim, a melhor fala do filme foi logo no início. Em que a personagem principal, Katniss, diz a um amigo que “os Jogos só existem ainda porque as pessoas assistem”. É o momento mais crítico das mais de 2 horas que passa despercebido para muitos. Quantas coisas absurdas vemos na nossa atualidade e que nem nos damos conta? Coisas que continuam nos sendo oferecidas porque nós mesmos as retroalimentamos.
No final das contas, é uma boa ficção, porém num corpo infantil que espero crescer nas continuações.

E o intuito do meu texto hoje era só pra falar da fina esperança que sinto de que os adolescentes tenham novos heróis literários em que possam estabelecer uma visão mais crítica, mesmo que ainda fraca. Sem dúvida algo que pode ser muito melhor trabalhado do que uma mera high school insossa que tem como objetivo de ‘vida’ parar o coração para estar com um vampiro pela eternidade.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Religião e blablabla


Hoje por acaso acabei caindo na página da ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) no facebook e o que eu li me incomodou tanto, tanto, que precisei escrever.
Não vou falar sobre minha posição como cristã - a qual existe e se por acaso interessar pode me perguntar que vou discorrer com prazer. Mas gostaria de tomar uma posição como cidadã, como uma pessoa com bom senso e que preza não apenas os próprios pensamentos, mas também os pensamentos alheios.
Religião, política e futebol são assuntos que nunca acabam bem em uma discussão.
Religião eu gosto de falar, mas sempre procuro ter a permissão do ouvinte para tal.
Política eu não me interesso, não por alienação, mas por falta de motivação.
E futebol, esse eu assumo que conheço muito pouco.

De tudo o que li, o que mais me incomodou na página da ATEA foi o fato das pessoas quererem levantar uma bandeira pelo puro prazer de ir contra algo. Após vários comentários e publicações, a única conclusão que eu cheguei foi a de que (a maioria) dos membros não são ateus ou agnósticos, são simplesmente anti-cristãos.
Cada um tem o pleno direito de acreditar em algo ou não acreditar em nada. Mas procurar através disso um motivo para ofender quem crê é dar um passo atrás ao que chamam de "evolução".
Acho válido uma associação para ateus e agnósticos, afinal são pessoas que (supostamente) partilham de ideias comuns. No entanto, acho mais válido ainda que façam algo de bom com isso. Se o intuito é mostrar que "o mundo não precisa de um deus", então que mostrem às outras pessoas o que podem acrescentar à sociedade sem ter uma crença. Mas a única coisa que sabem é - como trogloditas - procurar piadas e mais piadas, ofensas e mais ofensas.

Eu sou cristã. Não acredito, por exemplo, em Ganesha. Mas nem por isso eu - em momento algum - me voltaria a um hindu e diria "Nossa, como é ridículo acreditar em um deus que tem cabeça de elefante, corpo de homem e usa como meio de transporte um rato! Você não pode ser uma pessoa inteligente!".
Calma lá, meu amigo! Eu até posso achar ridículo, mas isso não me dá o direito de zombar daquela crença, muito menos de medir a capacidade intelectual da pessoa.

Entendo que o cristianismo, ou a religião em geral, hoje é muito banalizado e tratado - muitas vezes dentro da própria igreja - de uma maneira que só dá descrédito. Como cristã fico triste com isso. Mas como tantos "ateus", "agnósticos", amantes de buda ou sabe lá, querem criticar a imagem de algumas instituições e algumas pessoas, eu espero que, já que querem ser críticos, que sejam também sensatos. Espero que entendam que, embora alguns tratem a igreja como um "negócio" e alguns esperam em Deus como o "gênio da lâmpada", há também os que vivem e morrem por uma crença que eles não entendem. Há os pastores que pregam o amor e não a conta bancária. E há os que não se cegam para a ciência só porque acreditam em Deus.

Acreditar em algo é uma das opções humanas. E não respeitar essa opção é o que coloca alguém abaixo de toda a fauna.

segunda-feira, 5 de março de 2012

"Mas espero que ainda dê tempo..."


“Desculpe,
Estou um pouco atrasado
Mas espero que ainda dê tempo
De dizer que andei errado
E eu entendo [...]”

Dentre muitas das capacidades e incapacidades humanas o perdão se destaca e é o que separa os meninos dos homens – ou as meninas das mulheres, pra não haver descriminação.
Incrível como é comum ouvirmos algumas pessoas dizerem “não, isso é imperdoável”. É claro que é doído, tanto para quem pede, quanto para quem dá. Se fosse algo simples, se a vida fosse simplesmente recheada de situações que você “pode ou não pode” perdoar, não seria necessária uma palavra apenas para isso.
O problema é que o perdão é encarado como uma escolha e não como uma capacidade. É claro que você pode escolher perdoar alguém ou não, juntamente com essa escolha vem o peso, o ressentimento, a raiva, a falta de amor e toda a bagagem de amarguras, mas é uma escolha consciente. No entanto taxar como “imperdoável” é querer tirar de si a responsabilidade de não aceitar.
Quem trata o perdão como uma incapacidade são os mesmos que fazem do mundo um lugar mais cinza. São os mesmos que não distribuem sorrisos, porque o coração está fechado.
Não é fácil, nunca vai ser. Mas aí está a graça. Não tem nada a ver com a maçã do topo ou qualquer estorinha. Apenas porque a dor é que mostra a importância daquele sentimento.
Longe de mim banalizar os clichês de “todo mundo erra” ou “errar é humano”, mas clichês estão aí pra isso, todo mundo sabe que é verdade. Não que a proporção e consequência dos nossos erros sejam as mesmas. Mas por que amargar a vida de alguém que está arrependido?

Pare de segurar um abraço por orgulho. Pare de guardar um "me desculpe?" por birra.
Pare!

sábado, 28 de janeiro de 2012

Haters gonna hate


2012 mal começou e já veio cheio de memes e modinhas.
Não que eu seja a favor da Luiza virar uma super-modelo [ao contrário, acho essa fama instantânea um absurdo] mas... Por favor, Haters, por que vocês não vão tomar no cu param de tentar mostrar o tempo todo que são cultos, inteligentes e maduros?
Todo mundo já sabe que "a internet pode servir -e serve- para o conhecimento, a informação, um monte de coisa boa e blablabla". Mas também serve para exercermos o nosso direito de sermos meros e patéticos seres humanos.
Não estou dizendo que acho as modinhas uma coisa boa, já exemplifiquei aqui uma série de coisas que me irritam (vide o texto Sentimentalismo Facebookiano e outros mimimis*). Mas quem domina a internet que eu estou usando sou eu mesma. É uma opção minha ver ou deixar de ver alguma página ou alguma imagem. Se algo não me agrada eu posso clicar no pequeno "x" com todo o prazer ou excluir aquela pessoa chata. E, claro, vir aqui no blog discorrer sobre.
Mas, eu não fico repetindo infinitas vezes na home dos outros "nossa, o que essa Luiza fez da vida? Que ridículo isso... blablabla".
Não é porque EU não gosto de algo que isso seja realmente ruim, agrada outras pessoas e é pra isso que a internet existe.

Tem uma nova modinha rolando por aí: os "tumblrs da beleza". Agora todas as faculdades estão criando páginas para publicar foto e nome das pessoas mais bonitas. Importante considerar alguns fatos:
1) não está denegrindo a imagem de ninguém, está apenas falando bem.
2) qualquer pessoa pode sugerir alguém, não é o gosto de um só em jogo
3) com certeza se a pessoa ver sua foto lá e não concordar, os moderadores irão tirar sem nenhum problema
O que eu acho disso? Eu não acho nada. É só mais uma modinha, mas pelo menos agora estão falando de pessoas de verdade, do nosso convívio.
Se eu entro pra ver? É claro! Todo mundo gosta de ver o que lhe agrada os olhos e não há nada de errado nisso.
E aí eu estava com um outro texto quase pronto, mas tiver que falar disso porque esse SER da imagem soltou esses comentários. Se não conseguir ler pela imagem, segue:

"blablabla
Colgate diz: coisa mais linda esse tumblr
Ser Estranho diz: acho isso de um infanto-juvenismo tão grande
Colgate diz: não sei por que... são as pessoas da nossa faculdade... Fazer a Luiza famosa ok... mas falar de gente do nosso convívio é infantil? isso é só mais uma modinha de internet... todas as faculdades estão fazendo isso... pelo menos é uma modinha de pessoas que a gente sabe que existem
Ser Estranho diz: Classificar as pessoas como as mais bonitas acho algo infanto-juvenil, e fazer o que todos estão fazendo talvez seja mais infanto-juvenil ainda!"

Mas como assim??? Quem falou em "classificar"? Ninguém está sendo colocado em postos de melhor ou pior! A gente classifica as pessoas por muitas outras coisas todos os dias... Ele mesmo acabou de classficar um monte de gente como "infanto-juvenil" simplesmente por causa de um tumblr que ele não gostou ou ficou com inveja.
Queria entender por que as pessoas tem essa necessidade de denegrir o comum para serem superiores, melhores, mais maduras.

Enfim... esse post ficou meio sem noção, foi mais um desabafo do que um texto. Talvez eu nem tenha tanta razão assim, mas é que me irrita a pose de superioridade das pessoas.
O próximo será bem melhor, obrigada.




ps: para aumentar é só clicar na imagem

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sobra falta de gentileza



Algumas pessoas insistem em dizer que sou muito exigente, discordo.
Mas assumo que muitas vezes eu não sei o que realmente quero em alguém.
No entanto, tenho uma lista de coisas que eu sei que não quero.
Dentre as muitas "não-qualidades" que podem me impedir de manter um relacionamento, uma das principais delas é a falta de gentileza.
Hoje o ônibus estava lotado, vim em pé o caminho inteiro e ao meu lado estava uma senhora já de certa idade, que subiu direto na parte de trás, pois a frente já estava cheia. Quando o banco perto de mim vagou, fui abrir espaço para a senhora passar. Quando, para a minha surpresa, um "bonitinho de camisa pólo" foi lá e sentou sua delicada parte traseira. Fiquei indignada, ele a viu. Eu sei muito bem que viu.
É impossível que o gracioso, nos seus 20 e tantos anos de idade, estivesse mais necessitado de um assento do que a senhora.
E independentemente de ter alguém mais velho próximo, mesmo que fosse apenas eu ao lado dele, já me seria ofensivo. [Não sou, nem nunca fui feminista. Todos sabem].
Sabe quando eu consideraria um mero beijo nesse moço? Jamais.
Este foi um caso extremo, pois, além de ter sido falta de gentileza, foi também uma notável falta de respeito.
Qual o problema com as pessoas? Amor próprio não significa que você precisa ser o primeiro em tudo.

E não me relacionaria com alguém que não sorri. Se você não é capaz de compartilhar um sorriso com alguém, provavelmente não é capaz de compartilhar muitas outras coisas.
E também não consigo conviver com quem se limita demais ou é exagerado demais. Como sobreviver com alguém que só bebe água? Ou só coca, ou só cerveja, ou só suco de laranja sem gominho. Não dá.
O exagero então, nem se fala. Impossível passar um dia sequer com quem me chama de linda o tempo todo. Mas também não vai durar se não chamar nunca.

Tudo é preciso ter um equilibro, se sorri demais parece um tonto, se sorri de menos, é ranzinza. Se bebe demais passa da conta, se bebe de menos, não me acompanha. Se ama demais me irrita, se ama de menos, me perde.
Mas a gentileza... Essa, por favor, leve sempre uma dose extra e distribua, ela sempre volta.




PS: sei que andei sumida e peço desculpas a quem sempre lê. Passei por um período de provas que achei que não sobreviveria (mas sobrevivi). Passei um tempo no exterior que eu gostaria que não tivesse acabado, mas acabou.
Então, estou de volta.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sociedade... Social... Soci... Só? E eu?


Precisei escrever um texto sobre o que eu achava de trabalho voluntário...
Achei um tema interessante.
Aí segue:


“A mudança não se dá na presença dos que sonham.”
Paulo Freire

É fácil dizer que não ofereço nada à sociedade, pois a sociedade não oferece nada a mim. Mas tudo o que já mudou, já evoluiu e se fez novo – e bom – no mundo começou com um sonhador.
A utopia só é utopia pois o sonhador nunca a viverá, mas isso não significa que ela não possa ser real.
E eu sonho. Sonho com um mundo onde as pessoas querem fazer o bem não porque a vida seja boa em todos os momentos, mas porque ela vale a pena ser vivida.
Sonho com um país que oferece educação não por manobra política, mas por respeito ao seu povo.
Sonho com uma sociedade onde as pessoas não atravessem a rua por causa da cor ou (falta de) status social do outro.
Sonho com universitários públicos que desejam retribuir em trabalho de qualidade a oportunidade de terem estudado bem e de graça.
Sonho com crianças que possam brincar na rua sem medo de carro, de drogas, de bala perdida ou, pior, medo de outras pessoas.
Sonho com uma professora do jardim da infância que ganha o mesmo salário que um pediatra. E que é reconhecida pelos pais como quem cuida da educação dos seus filhos todos os dias e não apenas da saúde, quando necessário.
Sonho com a conscientização social à quem teve menos informação.
Sonho que não existem crianças abandonadas, pois todas foram desejadas, queridas e amadas.
Sonho que alguém dê bom dia no semáforo ao invés de pedir dinheiro.
Sonho que só haverá um papel de bala no chão quando este voar do lixo e alguém o irá recolher.
Sonho com uma tecnologia sustentável, mas não seletiva.
Sonho que informação e amor sejam compartilhados e não comprados.
Sonho com um mundo que não é o onde eu nasci e que não é onde eu morri, porque eu vou morrer.
Mas esse mundo vai existir. Eu não estarei presente pra ver, mas eu preciso sonhar.
E começar a agir, sem ganhar nada por isso, apenas a alegria de deixar.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Uma serenata para todos


"Se você está sofrendo por causa de um amor perdido, eu tenho más notícias: não há nada que você possa fazer.
E não há ninguém que possa ajudá-lo.
Na melhor da hipóteses, você vai ter um amigo paciente pra levá-lo a um bar e ouvir suas queixas. E, eventualmente, buscar você em um bar e levá-lo pra casa com segurança nos dias em que você se comportar feito um bobo.
Na verdade, até existe alguém capaz de curar sua dor. Mas esse alguém não costuma ter pressa.
Porque ele se chama tempo.
Portanto, procure levantar sua cabeça e dar um passo adiante, por menor que seja. Porque você ainda tem um longo caminho a percorrer nesse inferno.
Ter pena de si mesmo não vai ajudar em nada.
E, por mais que você não acredite, eu posso garantir que você sente algum prazer em cultivar esse sofrimento.
Sim, estar triste é uma forma de exercer a paixão, quando o alvo dessa paixão já se foi.
Você está usufruindo o seu direito de viver eternamente apaixonado.
Isso é ótimo! Prova que você é um romântico!
Mas, coisas ótimas não costumam ser baratas. E você tem que pagar seu preço.
Em algum momento tudo isso vai passar.
E, nesse caso, quando o furacão for embora, ele não deixará destroços.
Tudo estará em seu devido lugar. Como se nada tivesse acontecido.
Você vai recuperar suas noites de sono.
Vai se sentir revigorado, vai estar feliz consigo mesmo.
Vai levantar sua auto-estima.
Você vai estar pronto para entregar seu coração a outra pessoa.
Mesmo correndo o risco de parti-lo em mil pedaços novamente.
Porque o amor sempre vale a pena!"



Não costumo publicar textos alheios. Mas esse vídeo mereceu.
Vou até evitar qualquer comentário porque tenho medo de estragar tudo o que diz.






ps: Confesso que estou sentindo uma pontinha de remorso por fazer propaganda do concorrente de quem paga meu salário sem ganhar nada! =x